Apostar não é empreender



Muitas vezes somos tentados a percorrer alguns caminhos que surgem a nossa frente com o simples propósito de nos fazer enriquecer. Esses caminhos vem um pouco maquiados de iniciativas de empreendedorismo, mas na verdade não são. Como podemos diferencia-los? Simples, se o seu novo empreendimento não está entregando um produto ou serviço que resolva de fato a vida de pessoas ou outras instituições é muito provável que este caminho não seja um empreendimento válido e duradouro, muito cuidado inclusive para que ele não seja ilícito.
 
É natural que as pessoas defendam iniciativas assim, apontando que lícito é o que é permitido por lei. Mas tem muita coisa que a lei permite e que eu particularmente não acho certo, então tenho valores maiores, vamos simplificar, lícito não necessariamente é certo!
 
Se você encontrar uma forma de não entregar um produto ou serviço e puder contar para sua mãe, amigos, filhos sobre sua iniciativa sem se envergonhar e eles não puderem te criticar de estar enganando pessoas ou instituições para seu próprio benefício, pode ser que você tenha encontrado um caminho que eu não tenha vislumbrado, se for o caso peço que depois compartilha conosco.
 
Vi alguns amigos maravilhados com uma empresa que se propunha a remunerá-los pelo simples fato deles assistirem a vídeos pela internet. Logo pensei qual é o serviço ou produto entregue? qual o problema que eles estão resolvendo?
 
A empresa para "facilitar" o entendimento dos envolvidos, explicava que grandes empresas ao invés de investirem em campanhas de seus produtos pela televisão escolheram a internet para isso. O que em minha cabeça faz sentido.
 
O argumento era, as pessoas nos intervalos comerciais de seus programas na televisão não ficavam na frente da TV para assisti-los, logo isso era um investimento perdido. E ainda reforçavam que com a internet era capaz de se direcionar os comerciais para o público certo, o que eu também entendo que faz sentido.
 
O que não fazia sentido para mim é remunerar pessoas para assistirem, pois elas não são o tal público alvo dos produtos. Apenas para resumir a obra, quando esse meu amigo me disse que essa empresa pedia um "investimento"  para você ter uma conta e acesso para assistir os tais filmes ficou muito claro para mim que se tratava de mais um "empreendimento pirâmide".
 
Se você não está familiarizado com o termo, um empreendimento do tipo pirâmide é geralmente um empreendimento que não vive da venda de seus produtos ou serviços, mas sim da adesão de participantes. Um participante investe um valor em troca de ter um acesso ou privilégio, e este participante precisa trazer consigo outros participantes. Que ao aderirem pagam também esse investimento. O participante que traz os novos leva uma parte da receita e os novos também são orientados a trazerem novos.
 
E sempre há alguma atividade meio boba para manter todos ocupados, seja assistir vídeos, preencher fichas, montar campanhas, o resultado nunca é relacionado a entrega de produtos ou serviços.
 
Enquanto houver participantes entrando na base, o topo continua sendo remunerado, mas como não há uma atividade de entrega de produto ou serviço a pirâmide em algum momento entrará em colapso. As partes de baixo nunca irão receber nada, pois não haverá mais crescimento na pirâmide. 
 
Então isso não é empreender. Isso é enganar!
 
Mas é muito natural perceber uma defesa desse modelo principalmente quando pessoas estão lucrando. Como não dá para saber em que momento a pirâmide está nem em que posição o participante está, é sempre uma grande aposta. 
 
Apostar não é empreender!






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